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sábado, 23 de agosto de 2014

amsterdam - dezembro - 2012

Amsterdam era uma cidade que sempre sonhei conhecer... imaginava andar pelas ruas, com os diversos canais, ir ao distrito da luz vermelha, ver as casas barco estacionadas... eram muitas as cenas que imaginava. Então, o dia chegou. Estavamos vindo de Berlin (que será assunto de outro post futuramente(ou não)) e logo no aeroporto já começam as aventuras. Eu e um amigo, interessados em turbinar a estada em Amsterdam, passamos no freeshop para comprar uma generosa garrafa da bebida mágica\maravilhosa alemã, também conhecida como Jaggermeister. Nessa de comprar bebida, por questão de segundos não perdemos o vôo porque chegamos exatamente na hora em que a porta estava sendo fechada.... mas foi. Embarcamos os três!
Chegamos! Desembarcamos, procuramos saber como sair do aeroporto, chegar na cidade. Chegamos a Estação Central e de lá era só pegar o tram até o hostel. Chegamos no hostel. Eis o momento em que duas coisas tensas acontecem. A primeira, descobrimos que a reserva que eu tinha feito para meu amigo que decidiu ir depois, era para um hostel em outra cidade. No fim ele conseguiu (por um alto preço) uma vaga no mesmo hostel da gente. A segunda coisa tensa, percebemos que eu havia perdido a linda, preciosa e maravilhosa garrafa de Jagger, esqueci a sacola no ponto do tram. Sim, meu amigo queria me matar... e eu, se não fosse eu, ia querer me matar também.
Superados os momentos tensos (ou não), fomos passear.
O tempo estava chuvoso e frio... mas a cidade era maravilhosa assim mesmo. Confesso, nossos passeios em Amsterdam não tiveram nenhum caráter cultural. Dos museus, passamos somente na porta. Mas não me arrependo de nada. Eles continuam lá e algum dia voltarei para vê-los.
A beleza dessa cidade é uma coisa muito difícil de descrever. O estilo arquitetônico, as bicicletas estacionadas por toda parte, os barcos. Os olhos não se cansam. Quando começou a anoitecer, começamos a planejar a noite, fomos ao supermercado comprar as bebidas. Levamos para gelar no hostel e logo estava tudo planejado. Íamos primeiro em uma boate que era de graça, e num papel tínhamos alguns planos B anotados. Chegamos na boate, depois de eu beber todo o meu vinho e o do meu amigo, que não gostou do dele. Estava vazia, embora o lugar fosse sensacional. Fomos para os outros, que também não estavam lá essas coisas. Numa delas, estávamos no fumódromo, super escuro e turvo com tanta fumaça que eu não via um palmo na frente do meu nariz. Nessa boate, que por sinal tinha um povo bem estranho, eu disse a meu amigo que podíamos falar em português lá dentro que ninguém nos entenderia. Seria nosso "código". Infelizmente sóquenão. Ouvimos uma voz ao fundo (não sei de onde veio), que dizia em bom português que não, não seria nosso código. Foi nesse momento que percebi que sempre tem algum brasileiro embrenhado em qualquer canto do mundo. Até mesmo num fumódromo whathever de uma boate whatever. Enfim. Fomos embora. Acabamos a noite voltando a mesma boate do inicio, a ver se tinha melhorado. Passamos num bar dançante que tinha ao lado e as essas alturas, as duas garrafas de vinho começavam a surtir algum efeito. Nesse lugar foi onde eu enxerguei uma porta onde não tinha, empurrei uma parede de madeira e derrubei-a. Saímos e entramos na boate ao lado, depois de eu derrubar a tal parede. Vimos coisas estranhas dentro da boate, que prefiro não comentar por aqui, mas resumindo, a noite não foi das melhores. Estávamos vindo de Berlin, onde as noites eram incríveis, e estávamos esperando algo super bacana de Amsterdam também. 
Dia seguinte, mais passeios. Alugamos uma bicicleta!! Achei dificil andar, primeiro porque não sei andar bem e segundo porque o freio era girar o pedal para trás... enfim... os ciclistas da cidade queriam me jogar pra fora da ciclovia, porque eu tava lá empacando o pessoal.  Nessa tarde fomos ao Bulldog Coffee Shop, para tomar um café e dar boas risadas. Foi o que fizemos. 
Chegando a noite, era a hora de salvar a impressão ruim que tivemos da noite passada. Fomos numa boate, que pelo site parecia bem suspeita e estranha... mas logo na entrada, percebemos que era o paraíso. Uma noite que por sí só, fez valer toda a viagem.
Depois de sair da boate, ir ao Burger King comer e deixar meu amigo no hostel; peguei a bicicleta e fui fazer um passeio noturno pela cidade, que era igualmente bonita a noite. Queria aproveitar cada segundo daquele lugar.
Dia seguinte, mais passeios. Vi muitas casas-barco e percebi que realmente, deve ser sensacional viver em uma delas. Fomos a um parque, que mesmo no inverno era lindíssimo. 
E pela tarde, mais um parque. Fiquei encantado como a cidade te permite se locomover tão bem de bicicleta. É certo que, o que se conhece como turista; se resume ao centro e que as pessoas que vivem lá, nem sempre tem aquele estilo de vida ao qual os turistas imaginam... mas consegui perceber muitas cenas que me pareceram rotineiras para eles, não era tudo cenográfico.
A maioria das cidades que visitei, me trouxe um desejo de algum dia alí morar... e com Amsterdam não foi diferente. Chegando a noite, já estava decidido que ia ter repeteco. Não queríamos arriscar uma noite ruim num lugar desconhecido e voltamos a mesma boate da noite anterior... mas claro que antes teve um esquenta, para relembrar Berlin com bons shots de Jagger. 10 tubos, 10 euros. Uma barganha.
Ultimo dia resume-se a visita ao Madame Tussauds, ao qual perdemos as fotos; uma tentativa frustrada de ir na casa da Anne Frank, que tinha uma fila gigantesca ao qual resolvemos não enfrentar e mais passeios pela cidade. A noite era fazer os últimos passeios, tiras mais umas fotos e ir dormir no aeroporto, para no dia seguinte pela manhã, partirmos para Londres.
É chegado o momento de deixar a cidade. Mas ela nunca nos deixa. Depois de conhecê-la, ela estará pra sempre dentro de mim.


quarta-feira, 18 de junho de 2014

são paulo - abril - 2012

Dia 1
Minha primeira viagem de avião. A ansiedade pra voar acima das nuvens vinha junto com o medo da primeira viagem (sozinho). A sensação de voar, mesmo que as asas não sejam minhas foi demasiado boa, embora tenha passado bem rápido, algo em torno de 50 minutos. Próxima tarefa, chegar no hostel, deixar as coisas e ir desbravar a nova selva de pedra. Feito. Mala deixada, mapa na mão. Subir Consolação, chegar Paulista. O sentimento de metrópole está ali. Tinha todo um roteiro na cabeça, mas ao ver ao fundo umas tais colunas vermelhas, não resisti. Corri e fui ver/ter/sentir o MASP. Até então, nunca tinha visto algo tão maravilhoso, um vão que fazia todo sentido onde estava, o concreto, o vermelho, tudo. Ao entrar, descobri um artista que até hoje é inspiração, De Chirico. Descer a escada-rampa também é algo que se lembrar. Ao sair, fui ao metrô. Estação da Luz. Museu da Lingua Portuguesa.
"Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma." Fernando Pessoa.
Metrô, Galeria do Rock, Teatro Municipal. Voltar para o hostel cheio de planos, de sair para engolir a cidade/noite de São Paulo. Tinha os conselhos da Grazi de onde ir, porém o cansaço derrubou meu corpo em direção a cama e foi fatal.

Dia 2
Hostel, Sesc Ipiranga, rever uma amiga. Almoçar, Parque Ibirapoera, conhecer novos amigos. A exposição da história do rock antecipava o sabor de rock'n roll que viria nos dias seguintes. Hostel, banho, Rua Augusta, encontrar novos amigos. Bar Santa Augusta. Era tipo o Nelson Bordelo, de BH, mas tinha mais gente na parte cima que embaixo. Tocava The Smiths entre outros classics indies rocks. Naquele momento começava a desenvolver uma habilidade, que é a de descobrir a bebida mais custo/benefício dos lugares. Absinto. Algo por volta de 10 a 15 reais a dose. 2 doses. Hostel.

Dia 3
Hostel, localizado nos Jardins. Café da manhã mais caro da vida, em uma padaria nas cercanias. Festival Lolla Palooza. Desencontrar com todos porque o celular não pega no Jockey Club. Descobrir uma banda nova que é fucking amazing, uns djs estranhos com mascaras que acendem. Depois ir em direção ao palco principal, onde iria tocar TV on the radio (a minha banda da noite). Assistir o show, sendo o único a saber cantar as musicas, porque o povo em volta só queria ver Foo Fighters, a banda a seguir. O show acaba, fui espremido por todos os lados por mais fãs do Foo Fighters. Algum tempo depois o show começa, mas assisto só metade visto que Calvin Harris estava tocando num palco alternativo. Fim do primeiro dia de festival. Hostel. Banho. Hora de desvendar a noite paulista.
Descer a Rua Augusta. Atravessar Paulista. Continuar descendo. Vi uma cidade viva. Várias tribos especializadas no espaço das calçadas/rua. Eu buscava me encontrar em algum daqueles lugares/tribos. Me encontrei, em um club qualquer, numa rua perpendicular. Na fila de entrada, encontro amigos da faculdade, aqui de BH. Puta coincidência. Boate tipo inferninho, mas sobe um nível, não desce. O inferno é no nível +1 e não -1. Inferno do mesmo jeito. Muita vodka. Ir pra casa da amiga de amigos. Dormir na sala da amiga de amigos.

Dia 4
Ir hasta el hostal, outra padaria cara no caminho. Dia 2 do festival. Shows fantásticos. Correr de um show para o outro. Não ter pernas mais, ao fim do festival. Acabou. Voltar. Metrô entupido de gente. Habibs centro. Hostel. Dormir. Mais do que devia.

Dia 5
Acordar atrasado. Sair correndo pra não perder o vôo. Receber ofertas abusivas de taxistas se oferecendo para me levar até o aeroporto. Aceitar o desafio de chegar em tempo. Correr. Metrô. Bus. Aeroporto. Terminal 4. Avião. Escala no Rio de Janeiro. Belo Horizonte.

São Paulo, uma cidade que acabava de ganhar um pedaço do meu coração.
A bagagem não estava toda dentro da mala, que peguei na esteira. Muito mais estava dentro de mim.


domingo, 17 de março de 2013

188 dias - Parte I


O tempo voa. E passa tão rápido que quando se percebe, já foi... só restam as lembranças. Hoje parei pra pensar e de repente me pego fazendo um balanço do que foram esses 6 meses e pouco longe de casa. Das conquistas que obtive até agora, algumas terão que caber em duas malas... sapatos, casacos, uma câmera, várias canecas, um novo computador. 64 quilos é o limite de conquistas materiais.
Para as conquistas imateriais, preciso de uma mala maior. Maior que as dimensões máximas da companhia aérea. Tão grande que é impossível materializá-la. É uma mala virtual, cheia de lembranças. Cheia de sonhos realizados. Cheia de imagens, que as fotos são incapazes de materializar. A sensação ao sair do metro, debaixo do chão e estar na Praça da Figueira, numa manhã de quarta-feira. Os primeiros ares de Lisboa (porque  aeroporto é o local mais impessoal e genérico que existe, não conta). O primeiro andar de autocarro, em direção a Belém, onde os olhos já não sabem pra onde olhar, de tanta novidade que se vê pelas janelas. Os primeiros colegas, os primeiros amigos que pouco a pouco vão surgindo. A primeira noite no Bairro Alto. A primeira festa. O primeiro beijo. São tantas primeiras vezes que me sinto uma criança a desvendar um novo mundo. 
Sensações que são únicas, como a primeira vista de Madrid, um vexame passado na discoteca, as vãs tentativas de se falar espanhol, o sentar nos bancos revestidos de azulejos no Parque Guell, se divertir com o vento saindo do chão (like as Marilin Monroe) em frente a Sagrada Família e se perder, nas ruelas do Bairro Gótico de Barcelona. As aventuras pela noite de Berlin, tá ai uma coisa que não mala que caiba. Um casarão, com paredes degradadas, pixadas, com a passagem do tempo bem marcada. As pessoas, super alternativas, a musica... estonteantemente boa. Situações engraçadas e constrangedoras, que até hoje não entendi e que ainda me provoca boas risadas.... Um hostel que era um verdadeiro cenário de filme de terror. Uma segunda noite, que uma sacada com o mapa do metro salvou a noite... uma bela despedida daquela cidade que foi largamente brindada, com doses e garrafas de Jagermeister.... cidade maravilhosa... da qual não queria ir embora... ou só queria porque sabia que estava indo pra Amsterdã.
Amsterdã foi a cidade do equilíbrio... Dias maravilhosos a passear pelos canais da cidade, eram compensados com noites maravilhosas, uma experiência multicultural. Um passeio noturno de bicicleta.  O tram passando pelas ruas cheias de gente. Uma saída a francesa da boate depois de derrubar uma parede. Uma tarde no Coffee Shop repleta de fumaça e risadas. (continua)