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sexta-feira, 6 de junho de 2014

happy hour international

"de tudo, ao meu amor serei atento"
paraíso perdido, materializado
uma utopia que ainda não se sabe verdade doce
não se sabe nenhum gosto
se sabe do paraíso
e das variações do verbo saber

tudo que quero é por um segundo, novamente fechar os olhos
para tudo aquilo que imagino, vejo nos filmes
um olhar de complacência
a sedução em forma de uma cidade-maçã

o paraíso ainda é a vista da janela
e a festa acontece somente dentro de mim
a musica, dentro de mim

daquilo que chamo passado, tenho as cartas
tenho as vozes, as frases, os olhares
há um baú cheio de objetos
coisas que só eu tenho, de um passado que não é só meu
do futuro não tenho nada, quando tiver será do passado
fucking passado
se fantasia de presente, me presenteia
depois me tortura com a lembrança
com as evidências e relíquias

"quem sabe a morte, angústia de quem vive"
angústia em forma de presente, passado no baú, paraíso na vista da janela

quero beber de todos vocês
brindar como Baco
a janela está aberta, a janela está aberta

fui buscar amsterdam na geladeira
mas ainda não está




sexta-feira, 11 de abril de 2014

rua da bahia - mapa de memória, mapa de vivência, mapa de presença, mapa de ausência

coordenada nº 01.02 
pedimos a porção de batatas, mas não conseguimos comê-la toda
subimos no bar com cheiro estranho, pela escada rolante parada
não gostava de cerveja, vodka me apetecia

coordenada nº 01.03
num domingo onde a cidade estava fechada
poucos bares se mantinham, esse era um deles
e do happy hour resultou 9 garrafas vazias
já que mais tarde, um novo ente apareceu

coordenada nº 02.02
a tardinha, desci a rua cantante e quase dançante
cheguei até a praça cujos bancos não tem encosto, onde alguém me esperava e me via descer
"minha vida é essa, subir bahia e descer floresta"

coordenada nº 01.04
já noite, num dia em que descia tarde do trabalho, cansado
encontrei vários amigos, sentados
as mesas estavam todas cheias, foi difícil conseguir uma cadeira

coordenada nº 01.05
com os novos então conhecidos
descemos e paramos na igreja
é bom apresentar as belezas da cidade aos turistas

coordenada nº 02.02
um dia cheio de acontecimentos
terminou com um filme no castelinho
filme estranho pacas

coordenada nº 02.03
difícil decidir entre o doce e o amargo
preferi o que já conheço de longa data

coordenada nº 01.07
com a garrafa de vodka, o copo deixei em casa
ia para a primeira balada após 18 anos
as luzes estavam um tom mais saturadas

hoje desci todas as coordenadas do mapa
me vi em várias das pessoas
e ao mesmo tempo me perguntei onde estou
e onde estão todas essas pessoas que estiveram comigo
quando eu habitava essas coordenadas
onde estamos?
onde estou e onde estamos?
onde?



sexta-feira, 28 de março de 2014

relógio

na rua
os homens estão munidos com seus relógios
sempre no pulso
olham uma vez, duas, quinze
quinze para as sete
estamos todos mais atrasados que o coelho da Alice
numa relação de dominador e dominado com o tempo

entretanto
ao parar qualquer um desses homens atrasados
interromper sua pressa em chegar a algum lugar
e pergunta-lo o que é o tempo
nenhum deles saberá responder

seus relógios no pulso, sua algema com o tempo
algemados com um eterno desconhecido


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

sentidos

o sentido do deslocamento é determinado pelo desejo primeiro
de se deslocar
e agora que sei onde estou, o lugar algum
ando ando ando ando ando
para ouvir de novo seu canto
saí
de um lugar comum
passei por vários não-lugares
porque só me lembrava do lugar de onde saí
e do lugar pra onde vou

o sentido dos sentidos é determinado pelo desejo segundo
de sentir
e quando se sente, nasce por dentro o desejo
que não se pode controlar
e o desejo altera a visão, o olfato, o paladar, o tato e a memória
todos ao mesmo tempo
me faz lembrar de lugares
de rostos e palavras
sem nenhuma precisão de detalhes
e com toda precisão de sensações

sinto
com todos os meus sentidos
não sei mais onde te guardar
dentro de mim
suas canções me ajudam a estar cada vez mais perto de ti




quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

desplazar

existe um verbo
e a representação de um movimento
corpo, espaço e tempo
sempre os mesmos

mas me esqueci daquilo que era mínimo
que desplazar necessita primeiro estar
estar em lugar algum
para depois estar em algum lugar