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quarta-feira, 2 de julho de 2014

meu coração está entre aspas

abre aspas

meu coração está entre aspas
ele é uma citação de algo poético,
que seu ouviu algum dia, em algum lugar
do poema, nada se lembra
mas foi algo que agradou aos ouvidos

meu coração está entre aspas
porque é irônico
ironiza consigo mesmo
e como se fosse possível (e é)
faz sofrer a si mesmo

meu coração está entre aspas
necessita todos os dias ser e estar
necessita todos os dias rir e chorar
necessita, sobretudo
em cada lagrima ou sorriso, um desabafo

meu coração está entre aspas
ele é uma colagem de fragmentos
alguns de própria autoria, outros não
busca respostas em meio ao vale de incertezas
as respostas atravessam suas artérias tão rápido que ele não consegue segurar
ele continua no vale

meu coração está entre aspas
meu coração está
meu coração
meu

fecha aspas





domingo, 6 de abril de 2014

imaterial

nem a imensidão da superfície terrestre
nem a superfície de todos os planetas
muito menos a grandiosidade de todos os astros e estrelas
tudo isso pode ser suficiente, para abrigar a materialidade das coisas
mas aquilo que é imaterial não cabe

contraditoriamente
o que todos esses lugares imensos não conseguem abrigar
pode ser guardado em espaços muito pequenos:
no intervalo entre as capas de um livro
no momento em que uma musica rompe o silencio
e no coração

com o livro, você rompe a barreira do real
a música te transporta para um universo tão longe, longe demais
um universo dentro de nós mesmos
e o coração é como uma caixinha de música
um objeto sólido, fechado
que quando se deixa abrir, revela uma beleza difícil de descrever

depois de considerar esses três elementos, dentre muitos outros
o livro, a música e o coração
facilita entender muitos paradoxos
como as vezes mesmo tão longe, estamos tão perto
ou como em meio a multidão, estamos tão só
ou como tudo aquilo que pareceu ser não, de repente é sim

as vezes, colocar a mochila nas costas e girar o mundo em busca de respostas não adianta
quando ela está dentro de nós mesmos
basta permitir que a caixinha de música se abra
abrir os ouvidos para a música que ela toca
mais um paradoxo
o que parece ser tão fácil, mas que na realidade é tão difícil


dedicado a Carlos Santos

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

gravidade

gosto dessa sensação
uma leveza ao andar, um quase flutuar
tudo parece um pouco mais poetizado
as luzes dos carros e as pessoas andando
e todos os ângulos me parecem a fotografia mais genial de todas

andando na superfície terrestre
e cantando por dentro aquela mesma canção
andando nas ruas de Belo Horizonte
numa gravidade diferente da que costuma ter por aqui
andando em meio a muitas árvores
e me sentindo sozinho em meio a elas

tão concreto que...
poderia descrever esse sentimento em uma única palavra.