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quarta-feira, 2 de julho de 2014

meu coração está entre aspas

abre aspas

meu coração está entre aspas
ele é uma citação de algo poético,
que seu ouviu algum dia, em algum lugar
do poema, nada se lembra
mas foi algo que agradou aos ouvidos

meu coração está entre aspas
porque é irônico
ironiza consigo mesmo
e como se fosse possível (e é)
faz sofrer a si mesmo

meu coração está entre aspas
necessita todos os dias ser e estar
necessita todos os dias rir e chorar
necessita, sobretudo
em cada lagrima ou sorriso, um desabafo

meu coração está entre aspas
ele é uma colagem de fragmentos
alguns de própria autoria, outros não
busca respostas em meio ao vale de incertezas
as respostas atravessam suas artérias tão rápido que ele não consegue segurar
ele continua no vale

meu coração está entre aspas
meu coração está
meu coração
meu

fecha aspas





sexta-feira, 6 de junho de 2014

happy hour international

"de tudo, ao meu amor serei atento"
paraíso perdido, materializado
uma utopia que ainda não se sabe verdade doce
não se sabe nenhum gosto
se sabe do paraíso
e das variações do verbo saber

tudo que quero é por um segundo, novamente fechar os olhos
para tudo aquilo que imagino, vejo nos filmes
um olhar de complacência
a sedução em forma de uma cidade-maçã

o paraíso ainda é a vista da janela
e a festa acontece somente dentro de mim
a musica, dentro de mim

daquilo que chamo passado, tenho as cartas
tenho as vozes, as frases, os olhares
há um baú cheio de objetos
coisas que só eu tenho, de um passado que não é só meu
do futuro não tenho nada, quando tiver será do passado
fucking passado
se fantasia de presente, me presenteia
depois me tortura com a lembrança
com as evidências e relíquias

"quem sabe a morte, angústia de quem vive"
angústia em forma de presente, passado no baú, paraíso na vista da janela

quero beber de todos vocês
brindar como Baco
a janela está aberta, a janela está aberta

fui buscar amsterdam na geladeira
mas ainda não está




domingo, 6 de abril de 2014

imaterial

nem a imensidão da superfície terrestre
nem a superfície de todos os planetas
muito menos a grandiosidade de todos os astros e estrelas
tudo isso pode ser suficiente, para abrigar a materialidade das coisas
mas aquilo que é imaterial não cabe

contraditoriamente
o que todos esses lugares imensos não conseguem abrigar
pode ser guardado em espaços muito pequenos:
no intervalo entre as capas de um livro
no momento em que uma musica rompe o silencio
e no coração

com o livro, você rompe a barreira do real
a música te transporta para um universo tão longe, longe demais
um universo dentro de nós mesmos
e o coração é como uma caixinha de música
um objeto sólido, fechado
que quando se deixa abrir, revela uma beleza difícil de descrever

depois de considerar esses três elementos, dentre muitos outros
o livro, a música e o coração
facilita entender muitos paradoxos
como as vezes mesmo tão longe, estamos tão perto
ou como em meio a multidão, estamos tão só
ou como tudo aquilo que pareceu ser não, de repente é sim

as vezes, colocar a mochila nas costas e girar o mundo em busca de respostas não adianta
quando ela está dentro de nós mesmos
basta permitir que a caixinha de música se abra
abrir os ouvidos para a música que ela toca
mais um paradoxo
o que parece ser tão fácil, mas que na realidade é tão difícil


dedicado a Carlos Santos