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sexta-feira, 6 de junho de 2014

happy hour international

"de tudo, ao meu amor serei atento"
paraíso perdido, materializado
uma utopia que ainda não se sabe verdade doce
não se sabe nenhum gosto
se sabe do paraíso
e das variações do verbo saber

tudo que quero é por um segundo, novamente fechar os olhos
para tudo aquilo que imagino, vejo nos filmes
um olhar de complacência
a sedução em forma de uma cidade-maçã

o paraíso ainda é a vista da janela
e a festa acontece somente dentro de mim
a musica, dentro de mim

daquilo que chamo passado, tenho as cartas
tenho as vozes, as frases, os olhares
há um baú cheio de objetos
coisas que só eu tenho, de um passado que não é só meu
do futuro não tenho nada, quando tiver será do passado
fucking passado
se fantasia de presente, me presenteia
depois me tortura com a lembrança
com as evidências e relíquias

"quem sabe a morte, angústia de quem vive"
angústia em forma de presente, passado no baú, paraíso na vista da janela

quero beber de todos vocês
brindar como Baco
a janela está aberta, a janela está aberta

fui buscar amsterdam na geladeira
mas ainda não está




sábado, 31 de maio de 2014

não sei como começar

parado
em frente a estação de trem
esperando coragem
ouço ao longe, os trens se aproximam e logo se vão
sei que antes de entrar, tenho muito o que fazer
colocar ordem a todo um caos que criei
não sei como começar



em movimento
dentro da estação, ando de um lado para o outro
sei muito bem onde tenho que ir
esperando coragem
cada uma das minhas prioridades é um trem
cada trem, um destino diferente
distantes entre si
e quando entro em um deles, o escolho
dizendo não para todos os outros
dizendo no mínimo até logo
para alguns, dizendo adeus

sentado
plataforma 6, vagão 3, assento 28
e eu sempre soube que a escolha seria essa
o que eu não sabia era como começar
ainda não sei
estranho estar dentro desse trem
agora todos os outros parecem tão atraentes
ilusão de ótica, medo de assumir as próprias escolhas
medo do que pode acontecer com o caos instaurado no status quo
caos que já tem sua própria ordem
caos que estará no mesmo lugar quando esse trem fizer seu retorno

em movimento...




sexta-feira, 11 de abril de 2014

rua da bahia - mapa de memória, mapa de vivência, mapa de presença, mapa de ausência

coordenada nº 01.02 
pedimos a porção de batatas, mas não conseguimos comê-la toda
subimos no bar com cheiro estranho, pela escada rolante parada
não gostava de cerveja, vodka me apetecia

coordenada nº 01.03
num domingo onde a cidade estava fechada
poucos bares se mantinham, esse era um deles
e do happy hour resultou 9 garrafas vazias
já que mais tarde, um novo ente apareceu

coordenada nº 02.02
a tardinha, desci a rua cantante e quase dançante
cheguei até a praça cujos bancos não tem encosto, onde alguém me esperava e me via descer
"minha vida é essa, subir bahia e descer floresta"

coordenada nº 01.04
já noite, num dia em que descia tarde do trabalho, cansado
encontrei vários amigos, sentados
as mesas estavam todas cheias, foi difícil conseguir uma cadeira

coordenada nº 01.05
com os novos então conhecidos
descemos e paramos na igreja
é bom apresentar as belezas da cidade aos turistas

coordenada nº 02.02
um dia cheio de acontecimentos
terminou com um filme no castelinho
filme estranho pacas

coordenada nº 02.03
difícil decidir entre o doce e o amargo
preferi o que já conheço de longa data

coordenada nº 01.07
com a garrafa de vodka, o copo deixei em casa
ia para a primeira balada após 18 anos
as luzes estavam um tom mais saturadas

hoje desci todas as coordenadas do mapa
me vi em várias das pessoas
e ao mesmo tempo me perguntei onde estou
e onde estão todas essas pessoas que estiveram comigo
quando eu habitava essas coordenadas
onde estamos?
onde estou e onde estamos?
onde?



sexta-feira, 28 de março de 2014

relógio

na rua
os homens estão munidos com seus relógios
sempre no pulso
olham uma vez, duas, quinze
quinze para as sete
estamos todos mais atrasados que o coelho da Alice
numa relação de dominador e dominado com o tempo

entretanto
ao parar qualquer um desses homens atrasados
interromper sua pressa em chegar a algum lugar
e pergunta-lo o que é o tempo
nenhum deles saberá responder

seus relógios no pulso, sua algema com o tempo
algemados com um eterno desconhecido


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

manifesto nº18 (da distância)

todos os processos geram distância

e quando me aproximo, me distancio
ao mesmo tempo
e se volto
me distancio duplamente, porque daquilo que me afastei, não consigo me aproximar de novo
e para tentar alcançar aquilo que era distância, me distancio de outros
é como um jogo cheio de peças magnéticas
que se atraem e se repelem e se atraem
e para minha polaridade atrair algo ela precisa repelir algo

estou no porto, a espera
daquele veleiro que vem me buscar
me levar para perto e para longe
ao mesmo tempo
um veleiro chamado antítese

num universo cheio de coincidências tempo-espaciais
que nunca se repetirão, porque estão muito distantes entre si
quando faço uma escolha e me aproximo da certeza
me distancio da dúvida
me distancio dos que acreditavam na segunda opção

o veleiro que me leva
me leva para longe
mas se decido ficar aqui, perto
continuo estando longe na mesma