relato abstrato de viagem, fim de semana em Peniche
Diante de uma paisagem de rochas, pedras, rochedos, falésias e vento; muito vento, estive a questionar até que ponto seres (aparentemente) inanimados tem sensibilidade. Enquanto via o pôr-do-sol, do alto da rocha e com o mar bravio indo contra as pedras, imaginei ser a água do mar.
<<Eu enquanto água do mar, grande massa que avança para além do horizonte, digo: estou com frio. Esse vento frio que insiste em passar sobre mim, como uma mosca que fica a passar e pousar e pousar e pousar e a tentamos espantar mas ela voa. Assim é o vento. Ele não pede permissão. Fica a passar e me maltratar com o seu frio. Ele me torna água gelada. Eu me zango. Fico tão zangada que me manifesto em forma de ondas. Ondas fortes a bater nas pedras, que não tem culpa de nada. Pobres pedras. Desconto sobre elas a minha raiva. Queria um cobertor gigante que me protegesse desse vento. Um cobertor tão grande quanto eu, que me permitisse estar abrigada e aquecida. Eu água.>>
enquanto isso, as pedras...
<<Nós, as pedras desse lugar, manifestamos nosso descontentamento em estar aqui, levando na face duras pancadas de água fria, que com o passar de muitos anos tem nos escupido, lentamente, fazendo com que nós nos tornemos o que agora somos. >>
enquanto isso o vento...
<<Queremos caminho livre, corremos por muito tempo nessa grande auto-pista que é o mar, livres, a deslizar por cima da água e de repente nos vemos em meio a essa grande quantidade de rochas e logo depois essa grande de casas e coisas. Temos que nos desviar. Nos dividir em dois pra depois nos juntar-mos. Queremos caminho livre, sem obstáculos. Precisamos passar.>>
enquanto isso...

Nenhum comentário:
Postar um comentário